terça-feira, 20 de dezembro de 2011
terceira pessoa LXVIII
vou ficar aqui. e trancar a porta. e abrir a janela. e montar a luneta. tenho água, tenho comida suficiente para a minha fome, tenho silêncio o bastante para o meu tormento. ainda consigo respirar. vou ficar aqui. e te esquecer. vou procurar planetas brilhantes, planetas minúsculos, planetas remotos. redondos, desconhecidos, gasosos, coloridos. milhares de satélites. vou rir da sua cautela, da sua distância. vou rir de você. vou encontrar galáxias brilhantes, galáxias gigantes. galáxias a rodar. a dançar. a explodir. a sumir. vou ficar aqui. e rir desse querer. e rir desse doer. rir de tudo o que é insignificante, de tudo que é extravagante. vou rir até perder o ar. vou rir de mim. e vou me esquecer. só então abrirei a porta.
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